
Aquário
O seu quarto era individual. Ele era amigo de Napoleão e John Kennedy, ambos eram seus vizinhos de quarto. Ele usava camisola e tinha os cabelos raspados. Lá dentro as pessoas usavam branco. O forro do teto estava mofado, mas os corredores eram limpos. Havia grades em sua janela, de lá ele tinha vista para árvores com grandes copas e um enorme portão cercado por arames. Recebia seis refeições por dia, e, em muitas delas a sobremesa eram comprimidos ...
Morava lá há cerca de um ano ... Havia se hospedado neste local depois de tentar se jogar de um telhado ... O seu nome era Lucky e tinha 26 anos, semanalmente recebia a visita do Dr. Rubens, conversavam durante uma hora e voltava para o seu quarto. Era lá onde permanecia a maior parte do tempo. Muitas vezes não fazia nada, olhava para as rachaduras do teto e se punha a pensar. Assim passavam horas até que os homens de calças brancas o chamassem para as refeições ou para os debates em grupo ...
Era um bom lugar para se morar. Ele podia fazer quase tudo ... Podia ser quem ele queria, podia correr até perder o fôlego, podia gritar a plenos pulmões e mentir sem medo de ser reprimido ...
Quando sentia raiva esbravejava, e quando se sentia feliz gargalhava, se sentisse vontade de rolar no chão, rolava ... Amava poder fazer tudo aquilo ...
Lembrava que antes de ir para lá, a sua vida era monótona e insignificante, ele era frequentemente rotulado ... Pensava que deveria ter nascido ali, e que as pessoas deveriam morar ali também ... Não sabia distinguir um sonho de alguma experiência real, frequentemente dizia ter encontrado pessoas da televisão ou voado como passarinho ...
Gostava de conversar com objetos inanimados, e quando indagavam o motivo para fazer aquilo, ele dizia: "Eles não me intorrompem dizendo o que está certo ou errado, não brigam dizendo que é impossível fazer as coisas, ou que as minhas histórias não tem sentido ..."
Outro de seu passatempo predileto era assistir televisão. Gostava de ver desenho animado ou reportagens da tv; via sobre guerras que aconteciam no mundo, via pessoas passando fome e pessoas com tanto dinheiro que compravam parte do mundo, via pessoas sendo mortas e gente chorando, via mães abandonando filhos e outras fazendo de tudo para ter um filho ... Via gente fazendo guerra alegando 'paz', via gente que roubava milhões e não era preso, e via quem roubava para comer pegando pena de cinco anos ... Via gente já grande que matava e não era preso porque não tinha idade ...
As pessoas falavam que o hospício era um lugar ruim para se viver, e por isso quando via o noticiário ficava confuso, ía em direção a janela, olhava para a fachada do portão do hospício que dizia: "O manicômio não é aqui, o manicômio é lá fora".
------
[Autor desconhecido]
Morava lá há cerca de um ano ... Havia se hospedado neste local depois de tentar se jogar de um telhado ... O seu nome era Lucky e tinha 26 anos, semanalmente recebia a visita do Dr. Rubens, conversavam durante uma hora e voltava para o seu quarto. Era lá onde permanecia a maior parte do tempo. Muitas vezes não fazia nada, olhava para as rachaduras do teto e se punha a pensar. Assim passavam horas até que os homens de calças brancas o chamassem para as refeições ou para os debates em grupo ...
Era um bom lugar para se morar. Ele podia fazer quase tudo ... Podia ser quem ele queria, podia correr até perder o fôlego, podia gritar a plenos pulmões e mentir sem medo de ser reprimido ...
Quando sentia raiva esbravejava, e quando se sentia feliz gargalhava, se sentisse vontade de rolar no chão, rolava ... Amava poder fazer tudo aquilo ...
Lembrava que antes de ir para lá, a sua vida era monótona e insignificante, ele era frequentemente rotulado ... Pensava que deveria ter nascido ali, e que as pessoas deveriam morar ali também ... Não sabia distinguir um sonho de alguma experiência real, frequentemente dizia ter encontrado pessoas da televisão ou voado como passarinho ...
Gostava de conversar com objetos inanimados, e quando indagavam o motivo para fazer aquilo, ele dizia: "Eles não me intorrompem dizendo o que está certo ou errado, não brigam dizendo que é impossível fazer as coisas, ou que as minhas histórias não tem sentido ..."
Outro de seu passatempo predileto era assistir televisão. Gostava de ver desenho animado ou reportagens da tv; via sobre guerras que aconteciam no mundo, via pessoas passando fome e pessoas com tanto dinheiro que compravam parte do mundo, via pessoas sendo mortas e gente chorando, via mães abandonando filhos e outras fazendo de tudo para ter um filho ... Via gente fazendo guerra alegando 'paz', via gente que roubava milhões e não era preso, e via quem roubava para comer pegando pena de cinco anos ... Via gente já grande que matava e não era preso porque não tinha idade ...
As pessoas falavam que o hospício era um lugar ruim para se viver, e por isso quando via o noticiário ficava confuso, ía em direção a janela, olhava para a fachada do portão do hospício que dizia: "O manicômio não é aqui, o manicômio é lá fora".
------
[Autor desconhecido]
No comments:
Post a Comment