February 22, 2016



E fez germinar na criatura de coração alado
Um emaranhado de dúvidas deslocadas
E o detentor da vida fora machucado
Por súbitas e inesperadas quedas

Seu desejo tornou-se opaco
Pois da solidão que a venera
Já sente seu ritmo fraco
E o coração que desacelera

Não é preciso muito para ver
Que se tornastes o que mais temia
Já não sente mais o corpo enaltecer
Com a alegria que outrora a preenchia

Suas asas não mais crescem
Antigos hábitos não o enobrecem
Não mais os seus dias lhe apetece
E à luz do mundo, desaparece

Autora: Dandara Carvalho

February 07, 2016

Evolução


O antes belo, enfeiou-se,
E o sorridente personagem lamentou-se,
Pois cultivara em vida nobres sentimentos a sonhar.
Mas só a si culpava da realidade a encarar

À luz de um sentimento brilhou, enterrando toda a sua dor

Entregando ao desejo de viver o seu melhor
Mas o coração que uma vez se encheu de amor,
Hoje padece da transformação do vívido em estupor.

Investiu em batalhas adormecidas

Buscando o possível no impossível,
E lutou uma guerra perdida
Aceitando as consequências da derrota ora previsível.

Este já não tem poder para defender-se

Mas compreende que o antes estagnado já declina
E das contínuas decepções que padeceu,
Do amor desistiu, mas não esqueceu.

Autora: Dandara Carvalho